Quando eu fazia cursinho (bons tempos de Objetivo Paulista), tinha um casal altamente bizarro na minha sala. Se eles andassem separados já seriam facilmente notados pelo seu jeito meio rockeiro-perdido-grunge-revolucionário-cult. Ela era super magra e pequenininha, tinha um rosto diferente e aquele olhar de que mata quem pensar em desejar bom dia antes das onze da manhã. Ele também tinha cara de mau, mas no fundo parecia ser um bom sujeito. É, eles já seriam bizarros sozinhos, mesmo naquele colorido multi-tribos da Paulista, mas eles namoravam. E tingiam o cabelo do mesmo tom de ruivo (que no decorrer do ano desbotou até ficar quase loiro, ambos com as raizes castanhas aparecendo). E eles usavam a mesma estampa listrada Freddy Krueger, mas a dela era justinha de mangas longas e a dele bem largona, quase um moleton.
Todo dia eu chegava mais ou menos no mesmo horário que ela e sentava no escadão. Eu sentava lá em cima e ela bem na pontinha, com os pés na calçada (que na época ainda tinha aquelas pedras pretas e brancas). Ele chegava uns 20 minutos depois. E ela abria o sorriso mais lindo que eu já vi na minha vida! Ela sempre corria para abraçá-lo e eles ficavam ali se curtindo, nessa hora eu não via o cabelo vermelho ou as roupas combinando, só via aquele amor tão bonito.
Nunca falei com eles, mas no fundo amava os dois. E acho que ainda amo, porque um sorriso daqueles e um amor tão feliz não podem passar pela vida da gente e não ficar pra sempre. E fazia um tempo que não me perguntava por onde eles andavam… a coisa é que mesmo nesse momento em que eu não ando muito feliz com as coisas, mesmo agora que já se passaram cinco anos, quando lembro dos dois sempre torço para que estejam juntos e felizes. E se estiverem mesmo isso me dá esperança nessa tal de beleza da vida.
